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EUA: Califórnia mira em vacas leiteiras para combater aquecimento global

terça-feira, 6 de dezembro de 2016 13:47:53

O Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, está levando sua luta contra o aquecimento global à área rural. O Estado, que é o maior produtor agrícola do país, está agora mirando nos gases de efeito estufa (GEE) produzidos por vacas leiteiras e outros animais.

Apesar da forte oposição dos produtores, o governador Jerry Brown, assinou uma legislação em setembro que, pela primeira vez, regulamenta os GEE emitidos por operações pecuárias e aterros. Bovinos e outros animais são a principal fonte de metano, com GEE muitas vezes mais potentes do que o dióxido de carbono para o aquecimento global. 

“Se pudermos reduzir as emissões de metano, poderemos realmente ajudar a desacelerar o aquecimento global”, disse o conselheiro científico para o California Air Resources Board, Ryan McCarthy, que está formulando as regras para implementar a nova lei. Os animais são responsáveis por 14,5% das emissões de GEE induzidas por humanos, com a produção de carne bovina e de lácteos sendo responsável pela maioria, de acordo com relatório das Nações Unidas de 2013.

Desde a aprovação da lei de aquecimento global em 2006, a Califórnia vem reduzindo as emissões de carbono de carros, caminhões, casas e fábricas, enquanto aumenta a produção de energia renovável.

No estado de maior produção de leite do país, a nova lei requer que as operações leiteiras e outras operações pecuárias reduzam as emissões de metano em 40% abaixo dos níveis de 2013 até 2030. Oficiais do estado estão desenvolvendo regulamentações, que entram em efeito em 2024. “Esperamos que esse pacote e tudo o que estamos fazendo pelo clima mostre um modelo efetivo para os outros”, disse McCarthy.

Porém, os produtores de leite disseram que as novas regulamentações aumentarão os custos e argumentaram que já estão lutando com cinco anos de seca, baixos preços do leite e maiores custos de trabalho. Eles também estão preocupados que a nova lei assinada aumente o pagamento de horas extras aos trabalhadores rurais. “Isso só torna o cenário mais desafiador. Continuamos a perder fazendas leiteiras. Os produtores de leite estão deixando o Estado e indo para locais onde esses custos não existem”, disse o diretor de serviços ambientais da Western United Dairymen, Paul Sousa.

A indústria leiteira pode ser forçada a mover a produção para estados e países com menos regulamentações, levando a mais emissões globalmente, disse Sousa. “Achamos que é muito tolo para o estado da Califórnia tomar essa posição”, disse o gerente geral do Conselho de Produtores de Leite, Rob Vandenheuvel. “Um único Estado, como a Califórnia, não conseguirá ter um impacto significativo no clima”.

Os regulamentadores estão buscando formas de reduzir as chamadas emissões entéricas – metano de funções orgânicas das vacas. Isso poderia eventualmente requerer mudanças na alimentação dos animais. Porém, o maior objetivo é o esterco das vacas leiteiras, que representam cerca de um quarto das emissões de metano do Estado.

Os regulamentadores querem que mais fazendas reduzam as emissões com digestores de metano - que capturam o metano dos animais em grandes tanques de armazenamento e o converte em eletricidade. O Estado já separou US$ 50 milhões para ajudar as fazendas leiteiras a instalar os digestores, mas os produtores disseram que isso não é suficiente para equipar as aproximadamente 1.500 fazendas leiteiras do Estado.

A New Hope Dairy, que tem 1.500 vacas em Sacramento County, instalou um digestor de metano de US$ 4 milhões em 2013, graças à ajuda estatal e uma parceria com uma fábrica local, que opera o sistema para gerar energia renovável destinada a rede de abastecimento local. Porém, o coproprietário, Arlin Van Groningen, disse que não poderia ter arcado sozinho com os custos.

“A questão é que isso impactará negativamente as economias da indústria de lácteos da Califórnia”, disse Van Groningen, sobre a nova lei. “No setor de negócios leiteiros, as margens são tão estreitas que algo como isso nos forçará a deixar o estado”.

Os oficiais do Estado disseram que estão comprometidos a garantir que as novas regulamentações trabalhem para os produtores e o meio-ambiente. “Há uma oportunidade real aqui de obter reduções significativas nas emissões a um custo bem baixo, e realmente de forma que possa trazer benefícios econômicos aos produtores”, disse Ryan. 

Fonte: Associated Press (tradução MilkPoint)

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